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Depois dos jornais, internet ameaša a TV

Um estudo divulgado ontem, em Paris, pela consultoria Idate alerta que, depois da mídia impressa, da indústria fonográfica e do cinema, a TV será a próxima mídia a ter seu modelo de negócios totalmente modificado pela internet. Segundo o estudo, em três anos, 40% dos lares de países europeus poderão conectar a TV diretamente à internet, o que acelerará a interação e a oferta de vídeos e filmes sob demanda, reduzindo a dependência do telespectador da programação das TVs aberta e fechada.

Para o Idate, vem aí a revolução da TV pela internet. A transformação no modelo de negócios será causada pela chegada ao mercado de televisores equipados com plugs para conexão Ethernet, que permite a ligação ao modem residencial. Essa adaptação técnica transformará a TV em aparelho online, sem a intervenção de computadores. O resultado disso será a abertura da TV aos vídeos hoje presos à tela dos PCs.

"Este televisor vai facilitar a vida dos consumidores que querem ver as imagens da internet na televisão", afirma Gilles Fontaine, diretor-geral adjunto do Idate. A partir de então, empresas de alta tecnologia, como a Amazon ou a Apple, poderão fornecer programação ao consumidor, que não dependerá mais das emissoras de TV clássicas, cuja programação é presa a horários fixados pelo canal.

"Os detentores de direitos se encontrarão em posição de força, já que vão distribuir seus programas sem passar pelas emissoras de TV", diz Fontaine. Para o executivo, a transformação já está em andamento nos EUA, onde o site Hulu oferece online, no dia seguinte, a programação de empresas de mídia como NBC, Universal, News Corp e Walt Disney. O YouTube, do Google, também vem assinando acordos de veiculação de programas de TV de forma legal, pagando direitos autorais.

Para Fontaine, "a indústria da televisão se prepara para anos difíceis". De acordo com o Idata, o mercado publicitário de 2020 em um país como a França será igual ao de 2008.

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS


 

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